08 janeiro 2018

Um ano realmente novo ou seguiremos na mesma batida da irracionalidade?

Por Reinaldo Canto

Questões como mudanças climáticas, destruição de florestas e piora na qualidade de vida das cidades só realçam necessidade de fazermos novas escolhas
Wikimedia Commons
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Consequência do consumo nem sempre racional coloca em xeque a capacidade de regeneração do planeta
Começo de ano é propício para reflexões, avaliações e promessas de todos os gêneros. As chamadas resoluções de ano novo servem para estabelecer compromissos diversos de mudanças de atitudes em relação aos outros e a si mesmo. Se depender da nossa vontade, seremos mais tolerantes, generosos, cultos, saudáveis e responsáveis, neste ano que se inicia, do que fomos em todos os anos anteriores de nossas vidas.
Certamente muitos dos nossos sinceros desejos não serão capazes de resistir ao primeiro mês, tragados pela dinâmica de nosso cotidiano. De qualquer modo, a passagem de ano possui esse efeito positivo. Não custa nada parar um momento para, quem sabe, redirecionar algumas de nossas escolhas?

Bom seria se fizéssemos também uma boa análise, mais abrangente mesmo, em dimensões globais sobre a irracional e destrutiva maneira pela qual estamos consumindo o planeta.  E, isso não é maneira de dizer, literalmente estamos sugando os recursos planetários e o pior, não necessariamente para dar melhores condições de vida para todos os seres humanos.
Até podemos afirmar: muito pelo contrário! O que temos feito é consumir mais rápido e descartar também em ritmo cada vez mais vertiginoso.

E a cada ano que passa essas questões se tornam ainda mais sérias exigindo de todos mudanças urgentes na maneira de agir e consumir.
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Um bom exemplo são os celulares. Segundo dados fornecidos pela Anatel  (Agência Nacional de Telecomunicações) em outubro de 2017 o Brasil estava com 240,9 milhões de celulares ativos, o que representa uma densidade absurda de 115,76 celulares para cada 100 habitantes, incluindo-se aí crianças de colo, idosos e muitas pessoas que ainda não possuem aparelhos móveis.
Algo que podemos chamar de insano se a isso acrescentarmos que a troca de aparelhos se dá ao ritmo de um novo aparelho num período médio de apenas um ano e um mês. Esse é um caso entre muitos de produtos antes chamados de duráveis que tem se transformado ao longo dos anos em verdadeiras commodities, tais como carros, geladeiras, computadores, etc., etc., etc.

A crise no país até que segurou um pouco o consumo, mas o aumento nas vendas de Natal em relação a 2016 demonstram que comprar, independentemente das óbvias necessidades, ainda possui um forte apelo, inclusive emocional para as famílias brasileiras.

As consequências desse consumo nem sempre racional coloca em xeque a capacidade de regeneração do planeta e um esgotamento dos recursos naturais em proporções bíblicas. O nosso déficit ecológico, por assim dizer, já corresponde ao consumo de 1,5 planeta, ou seja, 50% acima do que a Terra consegue repor. Isso para manter o padrão de vida de apenas uma parcela da população mundial.

Conforme divulgado pelo Banco Mundial, se a população global chegar a 9,6 bilhões em 2050, conforme se prevê, serão necessários três planetas Terra para dar conta do consumo atual. Entre as principais consequências da excessiva exploração de recursos naturais estão a perda da biodiversidade com diminuição e extinção de espécies da flora e fauna.

O relatório Estado do Mundo já havia calculado que entre 1950 e 2005 a produção de petróleo havia crescido oito vezes, a de metais seis, o consumo de gás natural 14, a de carvão seis vezes e a de cobre, 25 vezes. Números assustadores, certo? Pois veja que podem ser ainda mais alarmantes: a produção de plástico cresceu nesse período nada mais nada menos do que 41 vezes!

Se ao menos toda essa voracidade tivesse o nobre objetivo de melhorar a vida de todos os habitantes do planeta... vá lá! Mas isso está longe de ser realidade! A desigualdade segue sendo pornográfica com poucos detendo a maior parte dos recursos.
No mundo todo, a fome em 2017 aumentou e atingiu a impressionante marca de 815 milhões de pessoas, conforme divulgado pelo relatório The State of Food Security and Nutrition in the World 2017 (O Estado de Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo em 2017). Destruir o planeta e ainda assim deixar quase um bilhão de pessoas na miséria me parece um péssimo caminho a ser trilhado.

O que cabe a nós mortais diante desses desafios colossais e planetários?

Entre as diversas e difíceis promessas de ano novo poderia constar uma que, no meu entender, teria boas chances de sucesso, bastando apenas uma pequena reflexão do consumidor, mais ou menos como: estou consumindo o que realmente preciso? Tenho exagerado nas minhas compras e desperdiçado demais?

Quem sabe se ao pensar nisso a gente não conclua que alguns exageros poderão ser evitados daqui para frente. Uma sociedade mais consciente e informada poderá contribuir muito para frear o consumo irracional.

24 novembro 2017

Ação empresas contra o desmatamento é fator de proteção ao lucro

Levantamento global do CDP aponta riscos aos quais grandes corporações e suas cadeias de valores estão expostas por não conduzir atividades em uma economia de baixo carbono
Sim, nós temos informação. Vasta, clara, abrangente e que dá a exata medida de para aonde caminhamos como espécie humana. Já sabemos que 15% das emissões de gás do efeito estufa vêm de desmatamento, que o cerrado brasileiro está ameaçado pela agropecuária, que as queimadas em Portugal originadas pelas fabricantes de papel e celulose podem causar desequilíbrios no mundo todo. Mas até que ponto o setor produtivo está realmente comprometido em construir uma agenda prática que reverta gradual e sustentavelmente a atividade, permanecendo lucrativa mas que possibilite a vida humana em 2050? A resposta pode ser óbvia: o ponto de inflexão está no risco ao negócio e na perda da lucratividade. E já estamos nesta etapa.
O relatório “Do risco para a receita: a oportunidade de investimento para enfrentar o desmatamento corporativo”, divulgado nesta terça-feira (21) pela plataforma de divulgação ambiental global sem fins lucrativos, CDP, aponta crescimento do prejuízo das empresas listadas em bolsa que perderam US$ 941 bilhões em volume de negócios neste ano ante perda de US$ 906 bilhões no ano passado (alta de 3,8%). Os quase US$ 1 trilhão em volumes de negócios foram perdidos por empresas de capital aberto de 2016 para 2017 que tinham suas operações vinculadas às commodities que mais alimentam o desmatamento no mundo – pecuária, soja, madeira e óleo de palma.
Neste cenário, o Brasil ganha importância negativa, pois é o segundo maior produtor de pecuária e de soja no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Caso essas empresas e seus stakeholders ainda não estejam se movimentando para modificar o caminho que fazem e a forma que atuam, esses dados desenham um futuro próximo no qual a longevidade delas fica comprometida. Em resumo, o ponto da virada chegou no Brasil e no mundo todo.
Dados do relatório mostram que a região na qual as empresas têm o maior percentual de riscos diretos nos negócios ligados às commodities é a América Latina, com 67% das empresas com amplos riscos diretos na cadeia de operações. A região é seguida pelo grupo Europa, Oriente Médio e África (57%), Ásia/Pacífico (33%) e América do Norte (26%). De acordo com os dados do CDP, as empresas dependem das florestas e reconhecem que os impactos ambientais e sociais do desmatamento ameaçam reduzir lucros e aumentar os riscos. Ao afetar as avaliações da empresa e a capacidade delas de reembolsar a dívida, esses riscos são suportados pelos investidores, ao mesmo tempo que os afasta.
CDP é uma organização internacional sem fins lucrativos, formada por grandes investidores interessados na avaliação do desempenho das empresas em função dos desafios ambientais de mudanças climáticas, recursos hídricos e florestas. Atualmente é formada por 827 investidores que administram um total de US$ 100 trilhões em ativos. A organização tem ainda em sua base de respondentes mais de 570 cidades no mundo todo reportando seus dados em 2017. A partir desses dados, são produzidos materiais que reportam regularmente a evolução no uso de recursos hídricos e ambientais pelas empresas e cidades signatárias, como este sobre desmatamento.
No relatório de hoje sobre desmatamento, 87% das empresas que responderam ao questionamento reconhecem pelo menos um risco – e 32% já experimentaram impactos – associados à produção ou ao consumo de commodities de risco florestal.
As decisões que estão sendo tomadas hoje determinarão se seremos capazes de fazer uma transição para uma economia próspera, que trabalhe para as pessoas e para o planeta a longo prazo. Acreditando na possível e urgente mudança de cenário, o CDP Latin America realiza no dia 30 de novembro, em São Paulo, o Conexão CDP, evento que vai promover um diálogo com essa ótica entre investidores, empresas, cidades e governo, oferecendo protótipos de ideias e soluções para materializar a mudança que desejamos ver no mundo.
Além disso, neste ano será apresentado um infográfico inédito – que apresenta indicadores e dados de empresas e cidades na América Latina sobre como se preparam, monitoram e gerenciam seus recursos. Por meio dessa ferramenta será possível visualizar quais são as empresas que lideram em sustentabilidade na região e que tipo de estratégias elas utilizam ou estão desenhando para embarcar no único futuro possível, o da economia de baixo carbono. (CDP/Envolverde)

23 novembro 2017

Longevidade das empresas depende da transição à economia de baixo carbono


Adaptação e tomada de decisões com foco de longo prazo vão garantir investimentos e mudança de patamar de empresas que já têm estratégia para se perpetuar

Por Juliana Lopes

O que você quer ser quando crescer? Essa pergunta feita inúmeras vezes para crianças de regiões diferentes no mundo todo deve ser adaptada aos empresários e executivos hoje, pois é urgente ter um plano cuja meta seja a longevidade. Pensar desta forma é uma espécie de garantia da existência de seu negócio dentro da nova economia e passa obrigatoriamente pelo comprometimento com a transição para a economia de baixo carbono – que pavimentará nossa existência futura à medida que dermos passos objetivos para mitigar os impactos das mudanças climáticas e do aquecimento global. É esse diferencial, olhar para o todo e não apenas para o resultado de curto prazo, a linha de corte de quem vai se perpetuar ou não.
            Uma empresa dentro da nova economia, assim como a criança que sonha ser bombeira ou astronauta, pensa nos passos que precisa dar para chegar ao seu objetivo. Ela sonha. Ela sonha, cria uma visão de futuro e age. A empresa que hoje sonha traça um caminho que possibilite ter a capacidade de regenerar a degradação que vivemos, em como se adaptar. Pensa na sua resiliência que nada mais é que manter aquela criança viva, seus objetivos no radar sem se seduzir pelos lucros do curto prazo. A empresa não ignora os fatos e dados, mas atua de forma transparente em suas operações. Esse é o comportamento que os investidores estão analisando, procurando entender por exemplo a exposição de seus portfólios de ativos e investimentos a riscos climáticos.
            A procura desses agentes financeiros que movimentam trilhões de dólares e euros em mercados diversos é por companhias com estratégias de negócios resilientes às mudanças climáticas porque esse é o fato que consideram que possibilitará a atividade futura de corporações, mercados. É como se pensassem que essas empresas precisarão se manter vivas para que recebam investimentos futuros. É um pouco óbvio, sabemos, mas tem muita instituição desatenta com uma questão tão elementar e vital. Mas as holografias são muitas no caminho, como o fato de o presidente da maior economia global realizar um grande desserviço ao mundo pensando apenas no curto prazo e ignorando o Acordo de Paris, para ficarmos apenas em um exemplo.   
            O momento agora é de ir além da eficiência durante a produção, sendo capazes de entender os impactos ao longo de todo o ciclo de vida dos produtos e serviços. Trata-se de um nível de demanda diferente em termos de performance socioambiental. Para atingi-lo, as empresas devem refletir se as suas ações estão tendo escala no setor em que atuam e na economia como um todo. Essa é a única forma de serem verdadeiramente sustentáveis. Pensar em rede. Observar e interferir positivamente na cadeia de valores.
            As empresas devem se preparar para conduzir suas estratégias por trajetórias de descarbonização, o que exigirá inovação disruptiva e mudanças nos modelos de negócios. Elas precisarão se perguntar qual a natureza da sua atividade e quais as reais necessidades sociais atendidas por seus produtos e serviços. E assim, encontrar um modelo para que operem e prosperem dentro de limites ambientais e sociais seguros.
Uma empresa da nova economia não busca apenas gerenciar seus impactos ambientais e sociais, mas também ter impactos positivos ao orientar suas estratégias para oferecer soluções para os principais desafios de nossos tempos. Mudanças climáticas, mobilidade, desmatamento e declínio de serviços ecossistêmicos, segurança alimentar são alguns deles. Endereçar esses desafios representa novas oportunidades de negócios.
            Como um exercício pedagógico de indicação de caminhos possíveis para a transição para a nova economia, o CDP desenvolve uma série de ações voltadas ao mercado financeiro, que acreditamos ser o grande catalisador da mudança necessária. As empresas devem se preparar para um escrutínio cada vez maior dos diferentes stakeholders em relação ao impacto ambiental dos negócios ao longo de toda a cadeia, notadamente a pegada de carbono, uma vez que será necessária uma redução drástica das emissões globais. Para manter o aumento da temperatura em 2°C em relação aos níveis pré-industriais, limite considerado seguro, a comunidade científica adverte que até 2050 as emissões devem ser reduzidas entre 41% e 72% em relação aos níveis de 2010. Isso resulta em um orçamento de aproximadamente 1000 giga toneladas disponíveis para serem “gastos”. Mantendo o nível atual de emissões de 49 giga toneladas ao ano, esse orçamento será gasto em 20 anos.
            É crescente o entendimento dos investidores de que as mudanças climáticas podem impactar a estabilidade financeira. À exemplo disso, o Financial Stability Board – FSB divulgou em junho deste ano um conjunto de recomendações da Task Force on Climate Financial-Related Disclosure para reporte de informações sobre os riscos de transição das mudanças climáticas nos informes financeira. Por riscos de transição entende-se que as mudanças políticas, legais, tecnológicas e de mercado devem ser extensivas para atender aos requisitos de mitigação e adaptação relacionados às mudanças climáticas. Dependendo da natureza, velocidade e foco dessas mudanças, os riscos de transição podem representar níveis variáveis de risco financeiro e de reputação para as organizações.
            A TCFD reforça que a transparência sobre riscos climáticos é crucial para uma boa governança e para a perenidade do negócio, agenda que o CDP vem trabalhando nos últimos 15 anos com as principais forças do mercado com o respaldo de uma rede de investidores e clientes internacionais. A gestão corporativa de riscos climática tem agora o potencial de se tornar uma norma para se fazer negócios, por se tratar de uma iniciativa liderada pela indústria financeira como é o caso do FSB.
            O CDP é uma organização internacional sem fins lucrativos, formada por grandes investidores interessados na avaliação do desempenho das empresas em função dos desafios ambientais de mudanças climáticas, recursos hídricos e florestas. Atualmente é formada por 827 investidores que administram um total de US$ 100 trilhões em ativos. A organização tem ainda em sua base de respondentes mais de 570 cidades no mundo todo reportando seus dados em 2017. A partir desses dados, são produzidos materiais que reportam regularmente a evolução no uso de recursos hídricos e ambientais pelas empresas e cidades signatárias, como este sobre desmatamento.    
            As decisões que estão sendo tomadas hoje determinarão se seremos capazes de fazer uma transição para uma economia próspera, que trabalhe para as pessoas e para o planeta a longo prazo. Acreditando na possível e urgente mudança de cenário, o CDP Latin America realiza no dia 30 de novembro, em São Paulo, o Conexão CDP, evento que vai promover um diálogo com essa ótica entre investidores, empresas, cidades e governo, oferecendo protótipos de ideias e soluções para materializar a mudança que desejamos ver no mundo.
            Além disso, neste ano será apresentado um infográfico inédito – que apresenta indicadores e dados de empresas e cidades na América Latina sobre como se preparam, monitoram e gerenciam seus recursos. Por meio dessa ferramenta será possível visualizar quais são as empresas que lideram em sustentabilidade na região e que tipo de estratégias elas utilizam ou estão desenhando para embarcar no único futuro possível, o da economia de baixo carbono. Contamos com o apoio de todos os setores da sociedade!


Serviço: Conexão CDP 2017
Data: 30 de novembro
Local: Teatro Vivo – Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Vila Cordeiro, em São Paulo
Horário: 8h30 – 13h30 – atividade aberta ao público geral
13h30 – 15h – atividade exclusiva para as empresas inscritas na rodada de negócios
Inscrições:  https://goo.gl/seZsjb
#ConexaoCDP #EconomiaEmTransicao


Juliana Lopes é graduada em jornalismo, com um MBA em Marketing e Mestrado em Administração pela FEI na linha de pesquisa em sustentabilidade. Como diretora do CDP Latin America, é responsável pelas atividades da organização na região. Atuando há 12 anos na área de sustentabilidade, Juliana começou sua carreira no terceiro setor, onde liderou projetos de capacitação para empoderar a sociedade civil para uma gestão mais participativa e eficiente da água. Foi editora da revista Ideia Sustentável, a primeira revista brasileira especializada em Responsabilidade Social Corporativa, onde também coordenou projetos de estudos e pesquisas, bem como de consultoria estratégica em sustentabilidade. Trabalhou em empresas multinacionais como BASF e Bridgestone-Firestone na área de comunicação corporativa. Também se dedicou a elaboração e implementação de campanhas de comunicação da sustentabilidade para clientes corporativos e organizações internacionais como WWF. Integra o Grupo de pesquisa internacional sobre Licença social para operar.

16 novembro 2017

Conferência do Clima 2017

Apesar dos pesares, energia limpa é um caminho sem volta

Crescimento da presença das eólicas no Nordeste e investimentos em renováveis no mundo são exemplos do roteiro do futuro energético

Marcos Santos / USP Imagens
Parque éolica
Em uma década, a geração eólica cresceu vertiginosos 1.772%
Motivos para otimismo faltam e muito! O planeta e sua população humana têm passado por inúmeros problemas causados ou amplificados pelas mudanças climáticas, já não bastassem os decorrentes da geopolítica suficientes para causar enormes desequilíbrios (vide os mais recentes: Yemen, Mianmar, Síria, etc, etc, etc).
Mesmo sendo difícil enxergar coisas positivas, uma que vem se destacando é o crescimento das energias limpas e renováveis no Brasil e no Mundo com grande destaque para a Geração Eólica em substituição às fontes fósseis (petróleo, carvão e gás natural).
E, isso não é conversa de ambientalista. Vamos aos fatos.
Em evento paralelo à realização da Conferência do Clima na Alemanha (COP 23), um estudo da Universidade de Tecnologia Lappeenranta (LUT), em parceria com o Grupo Energy Watch (EWG),  concluiu que uma transição global para o consumo de eletricidade 100% renovável já não é mais uma realidade de longo prazo, mas algo bem mais próximo no tempo.
Segundo esse levantamento, os investimentos que estão sendo feitos, o potencial energético e as tecnologias disponíveis serão capazes de gerar toda a energia necessária para o consumo planetário quem sabe até antes mesmo de 2050.
"Uma descarbonização total do sistema elétrico até 2050 é possível a um custo o menor do sistema do que hoje com base na tecnologia disponível. A transição energética não é mais uma questão de viabilidade técnica ou econômica, mas de vontade política ", segundo explicou Christian Breyer, principal autor do estudo, professor de Economia Solar na LUT e Presidente do Conselho Científico do EWG.
Essa transição para fontes renováveis, além de capazes de zerar as emissões de gases de efeito estufa do setor elétrico, ainda poderão criar 36 milhões de empregos até 2050, cerca de 17 milhões de empregos a mais dos que os hoje existentes.
Também não é preciso buscar na Conferência Climática os movimentos dessa profunda transformação no consumo energético. Temos aqui mesmo uma realidade cada vez mais próxima de nós brasileiros. Basta dar um pulo em alguns Estados Nordestinos para presenciar uma verdadeira revolução.
Complexo Eólico São Miguel do Gostoso
Recentemente este colunista pode conferir in loco na cidade de São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte, um exemplo do que vem acontecendo com cada vez maior frequência. Foi a inauguração de um parque eólico com potencial energético para produzir 108 MW. O projeto foi desenvolvido pela francesa Voltalia em parceria com a Copel, empresa de energia do Paraná. São ao todo 36 aerogeradores instalados em torres de 120 metros de altura. O investimento foi da ordem de R$ 500 milhões.
Não foi à toa que os franceses e os paranaenses decidiram instalar esse parque no Rio Grande do Norte. Os ventos ali são excelentes para a geração de energia o que faz do estado, o maior produtor de energia eólica do Brasil. Ali já são gerados 1.227 MW (megawatts) em média em 2017 o que representa um aumento de 25,6% em relação ao ano passado.
A Voltalia tem negócios em 16 países e no Brasil está presente desde 2006 com cinco complexos eólicos todos eles localizados no Nordeste.
“Dez anos atrás começamos a ver terras para montar o parque e na época pouco se falava no potencial eólico do Brasil”, contou o diretor-geral da Voltalia no Brasil, Robert Klein. E não será de estranhar se a empresa decidir por novos projetos na região já que existe o potencial e a necessidade, o que no ditado popular é traduzido como: “a fome com a vontade de comer”.
Principal fonte energética do Nordeste brasileiro
Em recente matéria publicada pelo jornal Correio Braziliense, de autoria da repórter Simone Kafruni, desde abril deste ano a força eólica no Nordeste se fez presente como nunca. Segundo dados levantados pela jornalista junto ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a geração de energia a partir dos ventos tem sido a principal fonte de abastecimento elétrico da região quebrando recordes sucessivos.
Em outubro, ela chegou a superar sozinha todas as outras fontes somadas com 52,6% do total na região Nordeste. A evolução constante nos índices de produção somada à dramática redução nos níveis dos reservatórios que abastecem as usinas hidrelétricas foram as principais razões para se alcançar esse resultado.
Ainda segundo a reportagem, em uma década a geração eólica cresceu vertiginosos 1.772%, passando de 935,4MW para 12.966MW.
A paisagem do Nordeste tem se alterado com esses imensos cataventos que, no meu entender, contribuem para dar um toque especial ao já belíssimo litoral da região. De certa maneira eles também contribuem para quebrar paradigmas quanto ao que representam essas não tão novas formas de gerar energia e apontar os caminhos para um futuro que já chegou.
Ao lado da Solar, outra fonte limpa, renovável e abundante em nosso país (também em crescimento constante, mas ainda à espera de seus dias de glória), teremos um novo momento e uma nova realidade sem a necessidade de queimarmos combustíveis fósseis e destruir o meio ambiente para a construção de novas usinas hidrelétricas na Amazônia.
Pessimismos à parte é possível acreditar em caminhos mais promissores!

21 outubro 2017

O que Michel Temer e Donald Trump
pensam sobre o meio ambiente?

As diferenças de personalidade e perfil não escondem o profundo desrespeito ao ecossistema
Foto: Beto Barata /PR

O discurso oficial de ambos em nada se parece, mas quanto ao meio ambiente são tais quais irmãos siameses.
 
Por Reinaldo Canto
O que de comum teriam Michel Temer e Donald Trump além do óbvio e mútuo pertencimento a elite branca, cabelos tingidos, casados com mulheres muito jovens e visão de mundo ultrapassada?
Não seria necessariamente na postura. Nos gestos empolados e antiquados do brasileiro, nada semelhante ao histrionismo caricato do norte-americano. Tão pouco no discurso arcaico e recheado de mesóclises de Temer em oposição à vulgaridade exibicionista e destemperada de Trump.
Até mesmo no tema deste artigo observam-se diferenças marcantes. Enquanto o presidente do império não usa meias palavras para desconsiderar a importância do meio ambiente e chamar de conspiração chinesa a questão do aquecimento global, o brasileiro, por seu turno não fala mal, até mesmo diz apoiar e reconhecer a importância da proteção ambiental, mas simplesmente descumpre até mesmo o que assina.
É o caso do Acordo de Paris chancelado com pompa e circunstância pelo presidente.
O discurso oficial de ambos em nada se parece, mas quanto aos seus resultados e no que efetivamente é do interesse dos habitantes deste planeta, que são as efetivas ações governamentais em prol do meio ambiente, eles se parecem e muito, tais quais irmãos siameses.
Poderíamos afirmar que no quesito transparência o presidente dos Estados Unidos é ao menos mais honesto, pois afirmou nos jardins da Casa Branca que o país abandonaria o Acordo de Paris. Uma visão limitada, tosca, mas há de se considerar, honesta.
Felizmente, parece que a realidade tenderá a prevalecer dado às repercussões negativas. Neste momento, vozes influentes dentro do governo norte-americano estão buscando uma saída honrosa para a volta dos Estados Unidos ao acordo climático. Vamos torcer para que o bom senso prevaleça!
Já no Brasil, como afirmamos anteriormente, o governo Temer apenas não se coloca oficialmente contrário às nossas florestas, mas a força avassaladora da bancada ruralista no Congresso e o estabelecimento de uma política ambiental até mais reacionária que a da ditadura civil militar, tenta e tem conseguido destruir as conquistas ambientais de décadas.
“O atual governo não tem política ambiental não se interessa pelo meio ambiente e pela conservação da natureza. Não tem compromisso ético ou moral com a dimensão pública. As decisões são tomadas em uma perspectiva oportunista de curto prazo que visa beneficiar poucos e não se importa com as consequências para a maior parte da sociedade brasileira”, afirma Luis Fernando Guedes Pinto, engenheiro agrônomo e gerente do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola – Imaflora.
Na mesma linha, Marcio Astrini coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace, avalia que agendas guardadas há muito tempo em gavetas no Congresso estão sendo retomadas e obtendo aprovações expressivas, “ Foi assim com a MP 759, que libera imensos estoques de terras públicas para a grilagem. Ocorreu o mesmo com a redução das áreas protegidas do Jamanxim, porém nesta feita o governo precisou voltar atrás no método e trocou a MP por um projeto de lei com urgência constitucional. Há alguns meses, integrantes do governo foram aos jornais anunciar as MPs de liberação de uso e registro de agrotóxicos e da venda de terras para estrangeiros. Ainda no balcão de negócios temos a questão indígena e o licenciamento ambiental. Infelizmente, esta é a importância do meio ambiente para Temer”.
Além dos exemplos citados, o que chamou muito a atenção nos últimos dias foi o tumulto provocado pela tentativa de extinção da Renca - Reserva Nacional de Cobre e Associados, localizada entre os estados do Pará e do Amapá, em plena Floresta Amazônica. Uma área gigantesca que seria liberada para exploração mineral e que, diante das grandes e negativas repercussões, foi posteriormente cancelada.
“O episódio deixou claro que a floresta, suas riquezas e sua importância estão hoje no mesmo espaço das negociatas que vemos inundar diariamente os noticiários e que jogam o país num mar de vergonha”, concluiu Astrini do Greenpeace.
No fim das contas, as semelhanças dos dois líderes estão calcadas na falta de visão de longo prazo. Ambos preocupados com sua sobrevivência política, claro que em momentos muito diversos e distintos. Ambos pouco ou nada comprometidos com temas caros à sustentabilidade e ao verdadeiro interesse comum.
Resta a esperança que, como acontece agora no possível recuo de Trump quanto à retirada do Acordo de Paris e da revogação da Renca pelo governo Temer, mobilizações da sociedade sejam capazes de frear ao menos os piores desmandos.
“Ficou evidente que não é possível toma uma decisão de impacto tão grande sem uma boa comunicação e sem o diálogo com a sociedade”, afirma Luis Fernando, do Imaflora.
Um futuro melhor para todos, sem dúvida, exige participação ativa da sociedade. O outro caminho repleto de omissões e conluios nos levará fatalmente a habitar um mundo mais difícil de se viver, ambientalmente insustentável e socialmente cada vez mais injusto.

10 agosto 2017

AÇÕES SUSTENTÁVEIS - CONFIRA:

APOIO AOS COMERCIANTES PARA O DESCARTE DE PILHAS E BATERIAS

Aos poucos a Política Nacional de Resíduos Sólidos, definida por lei em 2010, vai exigindo de empresas, governos e consumidores maior responsabilidade no descarte de resíduos.

O comércio é um setor que produz esses resíduos diariamente e, invariavelmente, em grande escala. Para facilitar a vida dos comerciantes de São Paulo, a FecomércioSP – Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo mantem o Portal Logística Reversa que presta informações importantes relativas à coleta e destinação correta de diversos produtos. Mas recentemente o portal  lançou uma plataforma voltada exclusivamente para atender os comerciantes que trabalham com pilhas, baterias portáteis e baterias de chumbo ácido. Esses materiais requerem atenção especial por seu alto grau de contaminação e possuem legislação específica e rigorosa quanto ao descarte irregular.

No link http://www.fecomercio.com.br/projeto-especial/logistica-reversa os comerciantes desses produtos que ainda não são pontos de entrega podem aderir aos termos de compromisso de sistemas de Logística Reversa definidos pelo estado de São Paulo. 

No portal, o comerciante também irá receber instruções sobre o que fazer ao receber esses produtos pós-consumo, como devem encaminhá-los para destinação ambientalmente adequada, de responsabilidade do fabricante ou importador. O objetivo da FecomércioSP é chegar em 2020 com a presença de pontos de coleta em todos os 645 municípios de São Paulo.

Além dos comerciantes, o Portal também orienta consumidores, sobre pontos de coleta e explica que pilhas e baterias portáteis não podem ser descartadas no lixo doméstico porque podem contaminar o solo, os lençóis freáticos e os cursos d'água. Elas devem ser mantidas em embalagens plásticas até serem levadas a um ponto de entrega. No caso das baterias de chumbo ácido usadas, o correto é deixá-las no mesmo local onde é feita a substituição pela nova.

Comerciante, não deixe de fazer a sua parte. Em caso de dúvida, basta enviar um email para logisticareversa@fecomercio.com.br.. 



GUIA CONTRIBUI PARA SUSTENTABILIDADE NA PRODUÇÃO DE LEITE

Conscientizar produtores rurais no uso consciente dos recursos naturais é o objetivo da parceria entre a Nestlé e a Embrapa Sudeste e que lançou recentemente o guia “Boas Práticas Hídricas” no campo. Como está no próprio título da cartilha, a ênfase está no melhor uso do consumo da água.
Essa nova ação da Nestlé está inserida no projeto “Consciência Hídrica: Saber como usar faz bem”,  que já chegou a 5.500 produtores de leite nos estados do Sul e Sudeste e que, entre outras ações, instalou hidrômetros nas fazendas para estimular o uso consciente da água.

“O manejo da água nas propriedades leiteiras ainda é pouco conhecido pelos produtores. O fato de o produtor tomar consciência do consumo mensal de água e entender a importância do correto manejo já serviu para alcançarmos resultados significativos: houve uma economia de mais de 2,5 milhões de litros/ano”, explica o executivo da Nestlé responsável pela área de leite, René Machado.

A elaboração do guia levou em conta pesquisas da Embrapa Pecuária Sudeste, segundo as quais, mudanças de hábitos e qualificação de mão-de-obra, entre outros, podem contribuir para a economia de até 30% no consumo de água. 

Para o pesquisador da Embrapa Júlio Palhares, responsável técnico pela elaboração do guia, quando o produtor faz o acompanhamento do consumo de água, permite que ele planeje melhor a eficiência no uso desse bem precioso.




SHOPPINGS CENTERS AVANÇAM EM AÇÕES SOCIOAMBIENTAIS



Um levantamento com 160 estabelecimentos realizado pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) em todo o país constatou que várias ações realizadas tem obtido bons resultados na redução dos impactos ambientais e de consumo. São dois programas criados pela Abrasce o “Acione-se Pela Vida” e o “Acione-se Pelo Planeta”, que tem incentivado e unificado experiências e ações no campo.

O estudo aponta que 94% dos shoppings possuem ações voltadas à redução do consumo de energia com, por exemplo, lâmpadas de alta eficiência e automação inteligente de escadas rolantes e ar condicionado, por exemplo.

A economia de água também tem apresentado resultados interessantes. Por mês os shoppings centers brasileiros participantes da pesquisa reutilizam mais de 126 mil m³ de água, quantidade suficiente para abastecer mais de 50 piscinas olímpicas. Além disso, são mais de 167 mil m³ de água tratada mensalmente.

Reciclagem de lixo, utilização de produtos ecológicos de higiene e limpeza e programa de doações também fazem parte da ação desses centros comerciais.

Que os resultados melhorem ainda mais e sirvam de exemplo para serem replicados Brasil afora!!

25 julho 2017

Suspeita de corrupção afeta credibilidade de ações socioambientais

Pesquisa revela crescimento da desconfiança do brasileiro com relação às iniciativas corporativas na área de sustentabilidade

Por Reinaldo Canto*
Rogério Alves/TV Senado/Fotos Públicas
O distrito de Bento Rodrigues
A empresa Vale é uma das mais mal-avaliadas no quesito sustentabilidade. Na foto, município de Mariana (MG) alguns dias após rompimento da barragem da Mineradora Samarco
Os brasileiros estão perdendo a confiança no setor corporativo em geral, graças aos inúmeros escândalos envolvendo algumas das empresas mais importantes do setor. Consequentemente, o ceticismo está atingindo iniciativas ligadas à sustentabilidade praticadas pelo setor privado.
Isso é o que constatou a 12ª edição do estudo Monitor de Sustentabilidade Corporativa 2017, pesquisa feita anualmente pela Market Analysis e publicado com exclusividade por esta coluna.
Não está mesmo fácil pra ninguém, diria o verbete popular diante de tantos fatos desabonadores que atingem o País de cima a baixo!
Várias grandes empresas que se esforçaram ao longo dos anos para construir suas imagens viram esforços de anos serem comprometidos por, direta ou indiretamente, terem contribuído para a perda da credibilidade de todo o setor privado brasileiro.
Após a realização de 810 entrevistas com adultos entre 18 e 69 anos, em nove capitais do país, entre elas, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, no primeiro semestre deste ano, a credibilidade das companhias brazucas caiu de 74,2% registrados em 2010 para 43,8% em 2017.
Dessa maneira, o estudo concluiu que os brasileiros passaram a demonstrar um nível recorde de descrença e indiferença quanto a identificação de bons exemplos de ações de responsabilidade social e/ou ambiental.
Na pesquisa de 2010, apenas um de cada cinco entrevistados tinha essa visão pessimista. Já em 2017 dois em cada três disseram não reconhecer exemplos positivos.
As melhores e as piores
O novo cenário apresentou um reforço à imagem da Natura, com um terço das menções positivas - também fato inédito apontado pela pesquisa - seguida depois por três multinacionais estrangeiras: Coca-Cola, Nestlé e Unilever. Fechando o quadro das cinco melhores vem a Petrobrás.
Já entre as cinco piores em sustentabilidade, em primeiríssimo lugar a JBS (dos célebres irmãos Batista), seguida pela Petrobrás, BRF (proprietária das marcas Sadia e Perdigão e envolvida na operação Carne Fraca), Odebrecht (outra grande empresa envolvida na Lava-Jato) e a Vale (mineradora que, entre outras, é proprietária da Samarco ligada a maior tragédia ambiental brasileira).
A pesquisa deste ano aponta algumas conclusões interessantes: o fato da Petrobrás fazer parte das duas listas revela o conhecimento que as pessoas têm da maior empresa brasileira, mas a citação positiva espontânea foi de apenas 1,7%, enquanto a negativa chegou a 4,5% deixando claro que a petroleira terá que aprofundar suas melhores práticas para superar essa imagem muito ainda associada à corrupção.
Também o fato de empresas estrangeiras ocuparem o espaço de companhias de capital nacional de maneira inédita nos 12 anos anteriores dessa pesquisa afasta as nossas empresas da ideia de serem ambientalmente responsáveis.
Isso, pelo menos, é o que passa pela cabeça dos consumidores. O que, diga-se de passagem, não parece nada bom para o futuro do capitalismo praticado por nossos patrícios.
Por fim, o que não surpreende é o fato das grandes empresas envolvidas nos escândalos de corrupção dos últimos anos serem citadas espontaneamente como vilãs e inimigas da responsabilidade corporativa.
Um comercial antigo dizia: “imagem não é nada, sede é tudo”! Claro, era um anúncio de bebida, mas nada mais longe da realidade imagem é sim tudo e muito mais.
Neste mundo altamente interconectado para se ter uma boa imagem é preciso fazer tudo certo cada vez mais de maneira cidadã, com responsabilidade crescente nos quesitos social e da sustentabilidade. Não atuar desse modo, começa assim como mostra a pesquisa, de uma lembrança ruim segue rapidamente para a rejeição do consumidor. Uma coisa leva a outra, rumo à extinção e lembranças nada agradáveis.
* Artigo publicado originalmente no site da Carta Capital